Demanda cresce 5,4% em janeiro, mesmo com recuo na indústria

O consumo de energia elétrica no Brasil cresceu 5,4% em janeiro sobre igual mês de 2012, alcançando 38,311 mil gigawatts-hora (GWh). De acordo com dados divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o resultado foi impulsionado pelo consumo residencial que avançou 11,4% e do setor de comércio e serviços, 11,1% maior que o de 2012. No acumulado de 12 meses, o consumo ultrapassou 450 mil GWh, com crescimento de 3,9% ante o mesmo intervalo anterior.

A EPE registrou recuo no consumo industrial de eletricidade, que em janeiro ficou 2% menor em janeiro deste ano contra 2012. O resultado, explicou, está em linha com as estatísticas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a atividade industrial onde o emprego, número de horas trabalhadas e utilização da capacidade instalada ainda estão em níveis inferiores aos do ano anterior. A queda foi puxada pelo desempenho da Região Sudeste, em especial, ao setor mínero-metalúrgico.

Já o consumo residencial teve o maior crescimento da classe desde 2005. Com expansão de 11,4%, passou de 9,794 mil GWh para 10,912 mil GWh na mesma base de comparação. A EPE atribuiu a alta às temperaturas elevadas por vários dias, neste início de ano. Segundo a empresa, o período do verão só agora foi percebido nas estatísticas, devido à composição dos lotes de medição das distribuidoras.

Pelo mesmo motivo, o consumo comercial também avançou, de 6,477 mil GWh para 7,195 mil GWh, conforme a EPE. A empresa destacou que essa classe manteve o ritmo do final de 2012, em especial do quarto trimestre, quando o crescimento havia sido de 10% sobre o mesmo período de 2012.

Leilão térmicas 

O governo brasileiro deve recomeçar os leilões de térmicas a gás este ano, disse o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim em uma palestra a cerca de 350 investidores em Nova York.

Ele mostrou que o Brasil vai investir US$ 60 bilhões em cinco anos, o que deve gerar 33 mil megawatts (MW).

No segmento de hidrelétricas serão cinco este ano e mais sete centrais em 2014. Em térmicas a gás natural os aportes devem somar US$ 1,5 bilhão.

Além desses ativos, o governo poderá colocar em disputa as usinas cujas concessões já venceram e retornaram ao governo. O caso mais emblemático é de Três Irmãos (807,5 MW), explorada pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e que teve o contrato vencido em 2011 com a não aceitação da empresa aos temos de renovação.

O secretário de planejamento e desenvolvimento energético, Altino Ventura Filho, disse que a usina será alvo de leilão específico e disse torcer para que a estatal paulista participe e vença o leilão pela central.

Fonte: DCI | 27/02/2013